Reportagens infiltradas
fevereiro 15th, 2009Eu estava lendo algumas histórias sobre repórteres que se infiltram em determinados grupos para tentar comprovar as mais variadas hipóteses e resolvi compartilhar minhas leituras.
Acho que foi a partir do caso do Tim Lopes que as empresas jornalísticas e os próprios repórteres passaram a considerar triplamente os perigos de qualquer ação infiltrada. Como, em geral, estas infiltrações são feitas com um objetivo denunciativo, a segurança dos envolvidos deve estar sempre em primeiro lugar porque, se descobertos, os repórteres podem correr sério perigo.
Separei três casos aqui, dois brasileiros e um inglês (com um bônus no final). Vamos a eles.
Casos brasileiros
- Milícias – Política do Terror: Ditadura da banda podre - Jornal O Dia – 31 de maio de 2008: A matéria conta sobre o dia a dia dos moradores da Favela do Batan, zona oeste do Rio, e a ação das milícias, grupos de policiais, agentes penitenciários, bombeiros e ex-servidores da Segurança Pública, que atuam na favela, no lugar do tráfico e do Estado, como poder paralelo. A reportagem do jornal (uma repórter, um fotógrafo e um motorista) morou por duas semanas na favela para produzir a matéria, só que foram descobertos e torturados pelos milicianos.

- PM por dentro ** – Jornal Folha de S. Paulo (Surcusal do Rio) – 18 de maio de 2008: O repórter Raphael Gomide prestou o concurso público de seleção para a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro como um postulante qualquer. Passou por todos os testes e fez o treinamento, tudo para investigar o interior da corporação de defesa pública brasileira que mais mata e mais morre. Gomide concedeu também duas entrevistas a Ana Estela, editora do Treinamento da Folha e do blog Novo em Folha: uma sobre os bastidores da experiência na polícia do Rio e outra sobre os perigos e limites na hora de fazer uma reportagem desse tipo, logo após a divulgação da tortura sofrida pela reportagem do jornal O Dia. (** Esse é o link da reportagem para assinantes Folha/UOL. Como eu não sou, resolvi dar um caminho alternativo).
A vida de um policial “secreto”
- My life as a secret policeman – BBC News, UK Magazine – 21 de outubro de 2003 (em inglês): O repórter Mark Daly passou sete meses trabalhando como policial e jornalista, investigando a denúncia de rascismo na London’s Metropolitan Police. Ele trabalhou como policial na Polícia de Manchester até ser descoberto.
Bônus: uma pesquisa de campo em Tel Aviv
Essa matéria não é um caso de jornalista infiltrado, mas sim uma jovem israelense, formada em estudos do Oriente Médio e militante política, de acordo com a BBC Brasil. Ela passou um mês disfarçada de palestina para fazer um “experiemento sociológico”: ver o preconceito que os palestinos sofrem na capital de Israel.
- Israelense se disfarça de palestina e relata experiência – BBC Brasil – 17 de março de 2008.
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Para quem gosta de jornalismo investigativo, recomendo mais alguns links:
- Abraji – Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo: vira e mexe eles promovem cursos e palestras para preparar melhor os jornalistas. Vale a pena ficar ligado.
- CPJ – Committee to Protect Journalists (em inglês): é uma organização internacional de jornalistas que visa proteger a categoria e garantir a imprensa livre.
- INSI – International News Safety Institute (em inglês): fornece informações e cursos para jornalistas que trabalham em áreas de risco ou perigosas.




No meio desse salve-se-quem-puder, 90% dos jornalistas da Editora Símbolo, de São Paulo, entraram em greve (





